segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma história inspiradora de alguém que seguiu em frente.

Conheça, inspire-se e encontre forças para si ou para alguém que conheça, em histórias de mulheres que, como tantas outras, enfrentaram o cancro de mama. Mulheres com espírito de luta, que, com a sua força de vontade e determinação, lutaram e venceram.



P.R. - 37 anos, casada e mãe de 2 meninas com 17 e 8 anos – Cancro de mama em 2005

O ano de 2005 foi dos piores da minha vida.

Em 2004, para além de ter o meu emprego normal como escriturária ainda acumulava um part-time aos fins de semana como caixa de hipermercado; mantive estes dois empregos ao longo de 7 mêses e como tal associava a dor na minha mama esquerda (tipo umas fisgadas...como se me estivessem a espetar algo) ao stress, excesso de trabalho.

Entretanto, ainda em 2004 no mês de Agosto, fui ao meu ginecologista para mais uma consulta de rotina e na qual me queixei da dor, à qual o doutor também associou ao stress pois nada detectou ao examinar-me e até me receitou uma pomada.

Entretanto entrei de férias e por coincidência ou não as dores eram menos. De volta à rotina e aos dois empregos as dores persistem e também noto, aliás foi meu marido quem primeiro reparou uma leve deformação no meu mamilo, tipo retracção.

Nesse momento percebi que algo mais se passava e não seria o stress. Fui então à minha Medica de Familia e pedi-lhe para me passar uma ecografia ou mamografia e expliquei o porquê, isto tudo ja próximo do final do ano.

Como no meu intimo eu presentia que algo de grave se passava, deixei passar as festas de fim do ano, mas claro sempre muito angustiada e ansiosa.

No dia 06 de Janeiro de 2005 saí do meu trabalho por volta das 18h e fui fazer a ecografia.

Fui sozinha pois embora eu soubesse que algo de mal poderia acontecer, no fundo tinha esperança que talvez nem fosse nada de grave, pois não estava no suposto grupo de risco, tinha só 35 anos, fui mãe jovem, amamentei,não tinha tido ate ao momento nenhum caso na familia.

Então lá fui eu, fiz a ecografia e quando a doutora começa o exame e pára a olhar muito séria para o monitor eu vi de imediato que ali havia mesmo algo de grave.

Dali a doutora pediu para eu esperar pois teria que fazer uma mamografia e assim foi, e depois repeti a ecografia, e logo a seguir a médica passou-me uma carta para eu no outro dia ir de imediato à minha medica de familia pedir para mandar o processo para o IPO de Coimbra; tinha realmente um nódulo.

Naquele momento fiquei sem palavras mas não chorei e ouvi atentamente tudo o que a doutora me dizia, por sinal super simpática e muito atenciosa.

Mal entrei no meu carro desatei a chorar e revoltada só perguntava porquê eu??? Fui para casa e mal entrei com os exames meu marido perguntou como tinha corrido mas eu nem sequer tive tempo de lhe responder e fugi para o meu quarto para minhas filhas não me verem naquele estado.

Depois do choque inicial, resolvi que o cancro não me iria vencer e resolvi lutar...lutei principalmente por mim, pela minha vida mas também pelas minhas filhas, pelo meu marido e pela minha restante familia e amigos que foram super importantes na minha recuperação.

Na primeira consulta no IPO de Coimbra com o meu ginecologista fiz uma citologia e mais uma série de exames e análises para verificar se havia ou não ramificações, o que felizmente não aconteceu.

Passado uma semana fiz a biopsia, ja quase mentalizada que seria maligno e que se veio a confirmar uma semana mais tarde.

A equipa medica examinou-me e propôs então fazer antes da cirurgia 4 sessoes de quimioterapia para reduzir o tumor ao maximo e assim poder preservar a mama.

Confesso que não ía a contar em fazer quimioterapia mas sim fazer a cirurgia e pronto assunto resolvido, mas concordei com os médicos e havia de ser o que Deus quisesse.

Quando fiz a primeira quimioterapia não tive qualquer sintoma, aliás ao outro dia fui trabalhar, pois a mesma tinha sido levezinha, mas ao fim de 15 dias o cabelo começou a cair e eu no dia a seguir fiz um pente 1, isto
foi a um sábado e avisei minhas filhas que iria ao cabeleireiro.

Foi um dia muito difícil para mim, mas assim que rapei o cabelo meti umgorro, que por sinal era da minha filha mais nova, e durante a viagem até casa chorei o bastante para poder enfrentar o que vinha a seguir.

Quando cheguei a casa e minhas filhas me viram com o gorro, a mais velha sabia o que eu tinha ido fazer e a mais nova brincou inicialmente comigo pois eu estava com o gorro dela.

Quando eu tiro o gorro vejo a cara de pânico da minha filha mais velha e a mais nova agarrou-se a mim a chorar; tive que ser forte e brincar com a situação.

Na altura a Fernanda Serrano fazia uma Novela no qual tinha passado pelo mesmo e então eu dizia que estava com uma careca mais sexy e mais bonita que a Fernanda e que para ser como ela so me faltava a altura.

E assim fui levando a doença numa brincadeira, sempre a trabalhar, excepto nos dias em que fazia os tratamentos e ficava depois de ressaca como costumava dizer.

Comprei e ofereceram-me muitos lenços coloridos para eu tapar a minha careca pois como depois da operação tive que voltar a quimioterapia o cabelo voltou a cair e dessa vez foi o meu marido, que com a sua enorme paciência, me rapou o cabelo com uma gillete.

Fui sempre muito mimada por toda a minha familia mais chegada, os verdadeiros amigos e vizinhos do meu predio, patrões e colegas de trabalho.

Em Outubro de 2005 meus vizinhos e familiares fizeram-me uma homenagem por eu demonstrar sempre tanta força e alegria. Foi um momento único que guardo até hoje no meu coração.

E hoje cá estou a dar o meu testemunho, para que as pessoas que estejam a passar pelo mesmo ou que ainda venham a passar não baixem os braços e lutem, pois podemos perder a guerra mas não a batalha.

Temos que ser optimistas e encarar o cancro como um inimigo a abater. Normalmente dizem que no caso do cancro da mama não há dor, não é um síntoma muito comum mas é também mais um síntoma, não podemos descurar o nosso corpo, pois quando detectado precocemente o cancro tem cura, seja ele qual for.

No IPO de Coimbra são todos profissionais e seres humanos incríveis que nos ajudam bastante.

Foi lá também, ao ouvir e ver fotografias de uma senhora que ja tinha passado pelo mesmo e que entretanto estava a preparar-se para a reconstrução, que eu fui buscar mais forças ainda e pensava se ela conseguiu porquê eu também não consigo?

Ainda hoje tenho muitas fotografias do antes, durante e depois e não é para me gabar mas por acaso tinha uma careca muito jeitosinha e só não andava assim na rua para não ferir a sensibilidade das pessoas.

No meu caso não fiz a mastectomia. mas mesmo assim fiquei com os peitos diferente, mas o nosso sistema de saúde nesse aspecto ainda está péssimo; no meu caso não consideram necessário fazer uma plástica.

Espero que o meu testemunho ajude alguém. Vivam um dia de cada vez, como se fosse o último e sejam felizes.

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2 comentários:

Olga Pinto Antunes disse...

minha querida, antes de mais os meus sinceros parabéns!!! valente camarada de armas!!!!

a minha história é mt parecida, contudo eu tinha 25 anos e tive que fazer mastectomia total. só aos 28 é que consegui fazer a reconstrução e grande parte desse tempo foi em lista de espera.

é impressionante cm num segundo tudo muda à nossa volta: a nossa percepção do que nos rodeia engrandece o que de melhor e mais puro carregamos no coração! e abençoadas são as nossas filhas pela coragem em cada olhar, força em cada sorriso e benção em cada lágrima!!!

bem haja e muitos parabéns

Associação Laço disse...

Parabéns Olga pela sua força e coragem!
Obrigado por deixar também o seu testemunho, que com certeza servirá de exemplo a muitas mulheres.
Felicidades!